A nova produção brasileira é baseada no filme lançado em 2013, “No se aceptan devoluciones” uma produção mexicana que está entre as 10 maiores bilheterias do pais. O filme também fez sucesso nos Estados Unidos e Europa, tendo por lá, ganhado uma versão francesa protagonizada por Omar Sy (Intocáveis).

Desavisado das duas outras versões, fui assistir a nova produção nacional de coração aberto, mas comédias brasileiras não me geram boas expectativas, com Leandro Hassum na capa, muito menos.

Não entenda errado, acho que o ator é um ótimo comediante, mas do meu ponto de vista, as comédias nacionais visam um público de televisão e se negam a usar da criatividade.

Em Não Se Aceitam Devoluções (2018), o que diz respeito a comédia, é exatamente mais do mesmo, situações e piadas forçadas que tentam se ancorar no carisma do seu ator principal, em alguns momentos me senti assistindo um filme dos trapalhões dos anos 80.

A história acompanha a vida de Juca Valente (Leandro Hassum), um playboy boa vida que é apresentado como um grande mulherengo. Sua vida é completamente mudada quando um de seus antigos casos aparece em sua porta e lhe deixa uma filha. Jogue a lógica de lado, não chame a polícia, não chame o conselho tutelar, não envolva a lei, pegue a criança e vá para os EUA procurar a mãe. Sem sucesso e após o filme criar um vínculo absurdo entre pai e filha, Juca decide criar a pequena.

7 anos se passam e a vida de Juca é delimitada pelo seu perigoso trabalho como dublê e a criação de sua filha, uma vida que se apresenta com demasiada diversão. A história alonga em contar essa parte e por muitas vezes parece contar mais do que é necessário e também fazer com isso piadas sem graça. São inúmeras coisas que parecem jogadas sem sentido, ditas sem contexto e parece que tudo o que é feito da vida dos personagens é algo que não tem sequer noção da realidade.

Toda essa vida de riscos e diversão é abalada pelo retorno da mãe da criança. E a partir dai o filme tenta esquecer o gênero de comédia e entra em um círculo de idas e vindas de drama que, até certo ponto, compensam a ida ao cinema.

Após uma cansativa hora de filme, me vi mudar o ponto de vista e passei a ficar preocupado com os personagens e também emocionado com o final. A falta de noção com a realidade, passa a fazer algum sentido, justifica o uso de situações e da falta de contexto de muitas das coisas que acontecem, não melhora a forma como foram apresentadas, mas facilita na hora de aceita-las.

E de quebra, apresenta um Leandro Hassum de drama, algo que o cinema poderia ver mais.

Não Se Aceitam Devoluções não é o drama, muito menos a comédia, do ano, lhe falta identidade, falta coragem em ser um filme mais adulto e para um público de cinema, ele se aceita com o que pode fazer de comédia e ignora o que ele mesmo fez de melhor.

Não Se Aceitam Devoluções chega aos cinemas na próxima quinta, dia 31 de Maio!